14 março 2009

CONFIRA A ENTREVISTA EXCLUSIVA DE DORIVAL

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Amigos blogueiros, desta vez destaca uma bela entrevista concedida por Dorival Junior ao Blog do Cosme Rímoli.

Nela Dorival fala sobre o atraso de salários, sobre a conversa que teve com Carlos Alberto e sobre as inúmeras propostas que recusou para permanecer no Vasco.

Aposto que a partir de lerem essas entrevistas, toda a massa vascaína irá passar a respeitar mais esse profissional, que é um dos melhores treinadores do país atualmente!


ENTREVISTA DO TÉCNICO DORIVAL JÚNIOR

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Dorival: você está com salário atrasado, cercado de tanta confusão, por que recusou convite do Santos e continua no Vasco?

Eu tive mesmo o convite para trabalhar no Santos antes do Mancini aceitar. Não quis porque eu sou uma pessoa que honra os seus compromissos. Eu não sou um aventureiro que só pensa em dinheiro. No ano passado eu estava no Coritiba e recusei 12 convites para ganhar mais. Sei que as coisas estão pesadas, confusas. Mas prefiro acreditar na diretoria do Vasco, no nosso planejamento. Vou seguir o meu plano de trabalho. Trato o Vasco com o respeito e a dignidade que ele merece.

Mas como você pode tratar o clube com dignidade, exigir dos jogadores se os salários estão atrasados?

Quando assumi, eu só pedi uma coisa. Uma só: que os salários não atrasassem. E, infelizmente, por três meses os salários estão atrasando. Os reflexos desses atrasos são óbvios, claros. Atrapalham os jogadores. Eu tive uma conversa séria com os dirigentes e eles me garantiram que isso vai acabar. Prefiro acreditar neles e trabalhar ainda mais sério. Parar de trabalhar e abandonar o projeto seria a pior coisa a fazer. Prefiro acreditar no poder de superação do Vasco. Não quero sair daqui sem fazer o que me propus a fazer : disputar para ganhar o Campeonato Carioca e tirar o clube da Série B. Sei que as coisas estão difíceis. Prefiro acreditar que seja uma fase. Conversei com os jogadores e eles confiaram em mim.

Qual o verdadeiro potencial do Vasco? O time acaba de golear por 4 a 1 o Botafogo, campeão da Taça Guanabara.

Montei uma equipe competitiva. Com jogadores que pretendem melhorar suas carreiras, brigar por algo melhor. O time tem atletas que perceberam que estão vivendo um momento histórico no Vasco da Gama. Não foram eles que acabaram rebaixados. Mas podem ser aqueles que serão sempre lembrados por levar de volta um clube tão importante para a Série A. Precisamos e vamos contratar algumas peças para o Brasileiro. Mas a base já está montada. E é forte, competitiva. O nosso trabalho em campo está dando certo. Em campo ninguém pode falar nada.

Qual a importância do Carlos Alberto em todo esse processo?

Vou ser bem sincero com você. Eu chamei o Carlos Alberto para uma conversa franca. Eu fui jogador. Não tive o potencial dele, mas joguei por grandes clubes, tive uma carreira firme, da qual eu me orgulho. Perguntei o que ele queria da vida. Falei que ele tem um futebol de altíssimo nível e que estava jogando fora. Disse ao Carlos Alberto que, com 24 anos, ele ainda pode dar uma reviravolta de vez e voltar a ser o jogador importante, de nível internacional que nasceu para ser. E que eu precisava dele comprometido com o Vasco. Se não fosse assim, não me serviria. Fui franco, olhando nos olhos. Falei como gostava de ouvir quando era jogador. O Carlos Alberto entendeu que já perdeu muito tempo no futebol e está me dando a melhor resposta possível. Hoje eu confio nele. Ele assumiu sua importância para o time, para o clube. A sua passagem pelo Vasco da Gama pode resgatar a sua carreira.

Doeu muito ficar de fora da Taça Guanabara por um erro burocrático? Dentro de campo, o time tinha pontos sobrando...

Aconteceu. Eu prefiro ver o lado positivo da questão. Como foi colocado, dentro de campo, o time rendeu. Aconteceu, passou. O importante agora é manter a concentração e buscar com todas as forças ganhar a Taça Rio e brigar para ser campeão carioca. A vitória contra o Botafogo foi importante para nós mesmos. Mostramos de novo que, apesar de tudo que aconteceu, não perdemos o foco. Foi duro ficar de fora por causa da inscrição de um jogador. Por um problema burocrático. Mas vamos mostrar de novo o nosso poder de superação.

Como é que você se sentiu tendo o seu salário divulgado pelo ex-presidente de marketing?Ele fez isso para desestabilizar o futebol do clube...

Eu me senti profundamente desrespeitado. Foi uma atitude deselegante. Fui usado para atingir a diretoria. Salário é uma coisa que só diz respeito ao profissional. Muitas pessoas ficaram julgando. Só posso dizer que eu tive várias propostas e até mais altas quando saí do Coritiba. Fiquei no Vasco por acreditar no projeto que montei. Será bom para o clube e ótimo para mim. Apesar de várias coisas desagradáveis que aconteceram, não vou mudar o meu foco. Estou trabalhando ainda mais, com mais vontade. E tenho uma certeza: o torcedor voltará a ter orgulho de ser vascaíno.

(Dorival Júnior não quis confirmar por lealdade à diretoria. Não recebe salários há dois meses.)

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