20 outubro 2010

Para que serve a famosa estrutura afinal?

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O Brasileirão entrou na fase final e muitos times estão perdendo o fôlego. Entre eles, os que mais chamam atenção são Corinthians e Fluminense. Não incluo o Vasco nessa seleta lista, porque, na verdade, o nosso time não teve muito gás em momento nenhum do campeonato. Se acompanharmos a classificação da série A, rodada a rodada, veremos que a dupla citada teve os seus momentos no campeonato, mas parece relegada a um plano inferior, principalmente se analisarmos os resultados mais recentes ou mesmo o segundo turno.

Esse é um fato que está sendo observado por todos, mas cuja explicação padrão não convence. Cansei de ouvir dos “especialistas” de plantão, há até bem pouco tempo, que esses clubes estavam na parte de cima da tabela porque tinham um bom elenco, tinham se planejado, bons treinadores e etc. Pois bem, agora, se o discurso ainda não mudou totalmente, eu vejo os mesmos estudiosos se contorcendo sem saber explicar o motivo da nova “máquina tricolor” está desacelerando. A explicação mais recorrente, porém incoerente, são as contusões. Esse argumento caiu por terra depois de uma reportagem do globoesporte.com na qual o Cruzeiro, justamente o time com mais contusões (11 no total, contra “apenas” 6 do Fluminense e 7 do Corinthians), é o dono da mais contundente arrancada do torneio e atual líder do campeonato. Ora, o clube que tem um bom elenco e um bom planejamento não pode ficar “a ver navios” quando ocorrem algumas contusões. Planejamento e elenco são para responder a esses problemas.

Mas se as contusões não explicam o fraco desempenho relativo recente desses clubes, qual seria uma outra hipótese plausível? Na verdade, a pergunta deveria ser diferente: o que mudou no campeonato que possa explicar a citada queda de rendimento (já que o elenco e o planejamento desses clubes são os mesmos)? A reposta me parece clara: o Brasileirão entrou num ritmo alucinante, de 14 rodadas com dois jogos por semana. E nessas últimas 14 rodadas, excluída a 30ª, o Fluminense é o 10º e o Corinthians o 11º. Nesse período, o Cruzeiro é o 1º, seguido por Grêmio e Atlético Paranaense – CAP, este último sempre apontado como um elenco “limitadíssimo”. Nessa análise, a pergunta derivada é óbvia: por que o ritmo maior do campeonato afetou mais Fluminense e Corinthians do que o Cruzeiro, o Grêmio ou o CAP? A resposta me parece uma simples, badalada, mas que, no fim das contas, poucos comentaristas usam como argumento analítico: Cruzeiro, Grêmio e CAP possuem uma estrutura de trabalho muito, mas muito, melhor do que os outrora líderes Corinthians e Fluminense.

E este fato implica em que? Em redução de contusões, certamente não. Mas em recuperação e manutenção da boa forma dos atletas. O Fluminense (assim como o nosso Vasco e o Corinthians) penam para recuperar um atleta ou mantê-lo em boa forma. Outro dia, contra o Santos, antes dos 20 minutos do segundo tempo, o Vasco teve que fazer duas alterações por cansaço. Ou seja, o ano está acabando e o Gigante da Colina não entra em forma! O São Paulo ganhou três títulos baseados na sua estrutura. O elenco não era o melhor, o futebol apresentado não agradava e, na ora em que os demais postulantes ao título desaceleravam, o time do Morumbi disparava. Ano passado, por pouco, isso não se repetiu. Talvez, com a volta da frequência de uma rodada por semana, Fluminense e Corinthians ressurjam e briguem pelo título se beneficiando de uma “gordura acumulada”, mas o campeonato ficou aberto e eles terão concorrentes de peso. O Corinthians, aliás, se perdeu totalmente na competição. Criaram uma expectativa gigantesca e, quando o time não suportou o ritmo e os resultados pioraram, o clube se descontrolou. Parece o Vasco na Taça Rio.

É óbvio que somente estrutura não ganha campeonato. No entanto, neste ano em particular, me parece que ela será o fiel da balança. E esse fato provoca conclusões mais gerais. Para um crescimento consistente, sustentável e vitorioso, o Vasco deveria colocar isso como principal iniciativa estratégica. Ter, no mínimo, um Centro de Treinamento para a equipe profissional é indispensável. Não acredito que um clube possa entrar numa seqüência vitoriosa, como a do Internacional ou do São Paulo, sem antes dar um salto de qualidade na sua estrutura. No futebol brasileiro atual, isso parece cada vez mais improvável.

Reinaldo Bedim

2 comentários:

  1. Concordo com você em tudo Reinaldo! Acho que temos que oferecer aos nossos atletas o melhor. Temos que construir um CT para que possamos nos organizar.

    Sobre o Brasileiro, creio que o Cruzeiro hoje está mais preparado e tem td para brigar pelo título. Eu afirmei em meu blog logo após o fim do primeiro turno que o campeão seria o Cruzeiro por tudo que você enumerou: elenco, estrutura e planejamento.

    Abraços e bem-vindo

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