20 novembro 2010

Profissionalizar Mesmo

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Todo torcedor, apaixonado pelo seu clube de futebol, nutre certa ânsia por notícias e invariavelmente torce por manchetes destacando contratações bombásticas. Afinal, é o seu clube uma extensão de seu coração, de seus amores, de suas paixões. Isso demanda idas e vindas aos sites jornalísticos de esportes, programas de rádio, debates e noticiários na TV etc.. Sempre ouvindo e esperando. E quando a notícia é boa, não há como resistir aquele ligeiro sorriso que se inicia no canto da boca. Porém, quando não é boa as mãos vão à cabeça e logo surgem expressões como “Que m...”.

Estamos chegando ao fim do ano, concomitantemente com o fim do campeonato brasileiro. Certamente, as notícias de contratações e dispensas tomarão o lugar das que nos informam como está o dia a dia dos times. E esse será o mantra de todo torcedor até que finde o ano.

No caso de meu Vascão, já vivo uma ânsia pelo desfecho da novela Rodrigo Caetano. Novela porque se arrasta e a cada capítulo a assistimos sabendo que o principal, o clímax, acontecerá no último capítulo.

Rodrigo Caetano foi contratado pela nova diretoria como uma iniciativa concreta de profissionalizar o departamento de futebol. Mas o que estou percebendo — com base nas notícias que leio diariamente — é que a diretoria acredita que “profissionalizar” é apenas colocar um profissional à frente de uma função. Não é!

Ao final de 2008 e durante a passagem para 2009, a diretoria foi extremamente feliz por conseguir trazer dois verdadeiros profissionais que conhecem o que fazem, e se valem de suas capacidades de organização, disciplina e planejamento: Dorival Júnior e Rodrigo Caetano.

Sobre o primeiro não vou falar aqui, pois não é a razão de escrever este texto. Ele merece um somente pra ele. Mas quanto ao segundo, não há como negar tratar-se de um profissional ímpar. Ele viveu dentro das quatro linhas, foi jogador e conhece bem o que pode passar pela sua cabeça ou o que mexe com seus sentimentos. Depois de encerrar sua carreira, de olhos abertos, mas com visão do futuro, preparou-se para novos desafios. Estudou e se capacitou para levar adiante seus objetivos. E em muito pouco tempo — cerca de cinco anos — mostrou resultados significantes. Primeiro no Grêmio, depois no Vasco.

Rodrigo é aquele profissional que podemos qualificá-lo como uma espécie de Mac Giver — personagem principal de uma antiga série policial de TV —, que uma vez preso numa cela, sozinho, conseguiu desmontar um ventilador e dele fazer um rádio transmissor. Guardadas as devidas proporções, não deixa de ser o mesmo que Rodrigo vem fazendo no Vasco: receitas comprometidas frequentemente o colocaram diante de atletas e membros da comissão técnica de futebol para explicar atrasos de salários; mesmo com salários atrasados e muitas justificativas, lidar com os profissionais e conseguir mantê-los estimulados a continuar se doando ao clube; em momentos pontuais foi às compras e reformulou o plantel de jogadores — se alguns não deram o resultado esperado, a culpa já não pode ser atribuída a ele —, mesmo disputando alguns deles com outros clubes sabidamente mais endinheirados que o Vasco; inovou nas alternativas ao conseguir trazer, mesmo com parcos recursos financeiros, jogadores de ponta — Felipe e Zé Roberto — e negociar definitivamente a permanência do CA19; sempre se manteve informado sobre o mercado de jogadores e tinha o controle de muitos profissionais em atividade, identificados por cada uma de suas posições numa equipe de futebol, e donde certamente iniciou suas investidas para as contratações que realizou; dedicou especial atenção na formação de base, pela qual o Vasco investiu em jogadores na faixa de vinte anos ou menos com potencial de evolução já visando a um futuro retorno. E por aí vai.

Assim, todos os dias eu torço para ler uma notícia que confirme “Rodrigo Caetano continua no Vasco”. Mas temo pelo pior, pois, nas últimas semanas, o discurso que venho lendo transmite nas entrelinhas uma provável saída dele. Fico ansioso e deveras temeroso. Lembro-me da novela da renovação do Dorival Júnior, quando houve diretor declarando que “não vamos nos descabelar por causa de Dorival Júnior” ou “Não vamos fugir à nossa realidade e possibilidades”. Pois bem, Dorival saiu e quem se descabelou foram os torcedores e consequentemente os mesmos diretores que declararam que não iriam se descabelar — talvez porque fisicamente tivessem poucos e ralos cabelos. Não é fácil repor um profissional bem qualificado e já engajado na estrutura do clube, principalmente que houvesse atingido mais que os seus principais objetivos (alguém esperava que conseguíssemos chegar à semifinal da Copa do Brasil?). Mas erros todos nós podemos cometer. O que não podemos é cometê-los novamente, da mesma forma. E a novela Rodrigo Caetano está aí como uma oportunidade de ouro para redimirem-se. É o futuro, com crescimento, que está em jogo.

Enfim, tudo isso consegue nos mostrar que de certa forma estamos no caminho para uma verdadeira profissionalização do futebol. Pelo menos já a iniciamos. Ainda que timidamente, precisamos de muito mais: planejamento e atitude quanto aos passivos judiciais que assolam as receitas (não há saúde financeira que resista a penhoras de até 100%), salários em dia, negociações com parceiros (e vários membros da diretoria do Vasco têm força empresarial para isso) para construirmos um CT.

Chega de amadorismo. Não é mais tempo de dirigentes irem aos clubes completarem a jornada de seu dia após passarem a maior parte dele envolvido com seus negócios e empreendimentos particulares. Um clube não pode ser administrado como se seus dirigentes se reunissem para uma conversa numa mesa de bar. Quero meu clube tão grande quanto o Internacional — 100 MIL TORCEDORES — ou o Grêmio — acabou de anunciar que adotar uma estrutura de organização com CINCO GERENTES subordinados a um diretor, o Khoeler, que há duas semanas estava no Vasco.

Dolores Duran cantava “Quero a alegria de um barco voltando”. Hoje, não vejo a hora de adaptá-la para a “volta” de Rodrigo Caetano. Basta que a novela termine com um final feliz... Para os vascaínos, é claro.

Tenham um bom dia.

“Todo vascaíno tem amor infinito”

J.K.Dimas

3 comentários:

  1. Acho que todo bom Vascaíno, deva concordar com suas idéias e palavras acima.Porém também acho, que para que isso realmente aconteça.Precisamos de uma liderança forte e capaz de intervir e mudar o Arcaico Estatuto do Clube. Onde vemos, com frequência, Eurico Miranda defender. Talvez, o tempo de permanência, tenha sido demasiadamente grande, em gestõs passadas e tenham criados condições para que mudanças, fossem difíceis de realizar.Tivemos recentemente na histório do futebol brasileiro, dois grandes exemplos de times que ressurguram das cinzas(Corinthians e Grêmio).O Vasco não conseguiu tomar o mesmo remédio, pois forças ocultas, continuam agindo dentro de São Januário.

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  2. Na verdade, é essencial que mantenhamos o nosso Supervisor de futebol Rodrigo Caetano mas se infelizmente não coseguirmos temos que substituí-lo à altura pois já tivemos pessoas tão competentes quanto ele, inclusive nos bons tempos do Calçada. O que necessariamente não pode mais voltar é aquele inaceitável amadorismo da gestão anterior que de forma oligárquica inviabilizou o nosso clube causando graves danos ainda hoje. Se tem uma coisa que receio na vida é o retrocesso, aquela coisa nostálgica que diz mais ou menos assim : " No tempo de fulano, essas coisas não aconteciam no Vasco". Infelizmente ainda vejo fortes correntes que querem de volta a era da mordaça. No mais , só queremos de volta o que sempre foi nosso por direito e tradição que é um Vasco vencedor. Saudações Vascaínas e VASCO BI CAMPEÃO MUNDIAL 53-57!!!

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