03 novembro 2010

Entrevista Exclusiva com Deny Barbosa, craque do FA do Vasco

Por: Carlos Gregório Júnior (@CarlosGregJr)


Vôlei, Basquete, Futebol, Handebol, Ginástica e Atletismo; Esses são alguns dos esportes olímpicos que tem grande destaque entre feminino no Brasil. A cada ano que passa é mais comum vermos conquistas nessas modalidades, que sem dúvida já fazem da tradição olímpica brasileira.

Com base nisso, o que leva uma pessoa a abdicar de tudo isso para se dedicar a um esporte que ainda não é tão valorizado no país? Se esportes como o Vôlei e o Basquete, por exemplo, sofrem com a péssima organização e até mesmo, em alguns casos, com a falta de apoio, o que leva uma pessoa a praticar e a dedicar sua vida ao Futebol Americano?

Tentando descobrir essa resposta, fomos entrevistar a artilheira e melhor Quaterback do último Campeonato Carioca Deni Barbosa. Uma das grandes responsáveis pela evolução do esporte no País, a atleta vascaína de 25 anos fala sobre a evolução da modalidade, sobre sua carreira, sobre a importância do Vasco na evolução desse esporte e muito mais. Está curioso? Então confira a entrevista abaixo:

Para começar, gostaria que você nos falasse um pouco sobre a sua carreira. Quais títulos você conquistou? Por onde você passou?

Meu nome é Deniele Barbosa, mas no FA (Futebol Americano) as pessoas me conhecem como Deny Barbosa. Tenho 25 anos e pratico há sete anos o Futebol Americano. Comecei e era a única menina na época, só depois de um tempo entraram outras e formamos nosso primeiro time. Já fui Presidente da Associação De Futebol Americano do RJ (AFERJ) e hoje em dia sou Diretora de Esportes Feminino da AFAB (Associacao de Futebol Americano do BRASIL). Tudo que é relacionado ao Futebol Americano Feminino do Brasil, torneios e campeonatos são ministrados ou fiscalizados pela AFAB. Esse ano participei com o Vasco de dois campeonatos: O carioca Bowl (Fomos campeãs e ganhamos o MVP também), onde fui a melhor jogadora do campeonato, e o Saquarema Bowl, onde ficamos em segundo e levamos o Prêmio de Melhor Quarterback do campeonato.

Por ser um esporte pouco conhecido e até mesmo divulgado no Brasil, o F utebol Americano ainda despertar muita curiosidade nas pessoas. Com base nisso gostaria que você me falasse um pouco sobre a chegada o esporte no Brasil. Como ele começou a ser praticado pelas mulheres? Quais as percussoras?

O esporte existe desde 1985 no Rio de Janeiro, mas foi mesmo difundido em 200 quando tivemos o primeiro Carioca Bowl masculino, que foi organizado pela AFAB em 2003. Eu entrei e joguei sozinha por um ano; Em 2004 veio minha prima Denise; Um ano depois, eu consegui arrastá-la e ela ficou porque acabou gostando. Quando éramos só nos duas, aprendemos bastante com os meninos. No mesmo ano em 2004 entraram outras meninas e formamos um time de Flag, que só precisava de cinco na linha. Um time em Saquarema foi formado também e no final de 2004 teve o primeiro amistoso, que foi realizado entre o nosso time e o time de Saquarema. Assim que começou em 2005 surgiu a AFERJ (Associação Feminina) e com ela mais dois times, um no Leme e outro em Niterói. Depois desses quatro times femininos, o meu time acabou e eu formei o meu próprio time, o Coyotes de Copacabana. Nele, conseguimos ser três títulos estaduais consecutivos (2006/2007/2008). Foi graças a isso que conseguimos o apoio do Vasco. Levamos o projeto de que éramos campeãs e no inicio de 2010 a Patrícia Coelho se interessou e nos chamou em São Januario. Então ano que vem os planos são pra jogarmos mais em grama, igual ao masculino que só compete em grama.

E o Vasco, onde entra nessa história?

O Vasco começou esse ano; nosso primeiro treino foi em 15 de maio e tínhamos mais de trinta atletas. Denise Emerson mandou o projeto, a Patrícia Coelho respondeu e fomos em São Januario para que pudéssemos conversar; Falamos sobre o esporte, sobre o Coyotes, ela gostou e abraçou a idéia. O Vasco nos deu uniforme de jogo, fomos campeãs esse ano jogando na areia, mas pretendemos ano que vem partir para grama. O masculino começou tem uns dois meses e já está em primeiro colocado também na tabela. Eles falaram com o vice, que eu não me recordo o nome, porque a Patrícia parece que não faz mais tarde do núcleo do Vasco. Então o nosso contato agora é com o time masculino, viramos um só e hoje temos a mesma comissão técnica, que é formada por: Deny Barbosa - Denise Emerson, Felipe Rugboy, Taty Morand e Roni.

No início da entrevista você afirmou que conquistou o prêmio de melhor Quarterback do torneio Saquarema Bowl. Com base nisso gostaria que você explicasse ao nosso leitor quais são as posições mais utilizadas para o ataque no Futebol Americano.

Bem, temos o lançador (QB - Quarterback), que escolhe as jogadas de ataque e passa para os outros jogadores; temos os recebedores (WR- Wides Receivers), que são os que quando tem o sinal saem em direção ao ataque para fazer a rota e receber o passe longo; temos os corredores (RB- Runnings backs), que depois que recebem a bola dos QB saem correndo com ela nos braços em direção ao ataque. Esse é basicamente o time de ataque. Quanto as regras, na areia não pode puxar camisa, mas já na grama pode. Não pode dar socos e pontapés, pois existem regras de como pode bater no adversário. Só é permitido dar o Tackle (derrubar no chão, tipo um abraço) quem esta com a bola.

Assim como grande parte de nós, você também deve ter os seus ídolos na vida e no esporte. Com base nisso te pergunto: Quais são seus ídolos no Esporte e na Vida? E o que representa hoje o Vasco para você?

Eu sou a Quarter Back (QB). Eu acompanho a NFL e torço pelo Patriots e gosto do QB deles, o Tom Brady, que usa o numero 12 igual ao meu. Mas também gosto muito do jogador Troy Polamalu do Steelers, que é Strong Safety e joga na defesa. Na vida, eu li o livro do Bernardinho e gostei muito do que ele falou no livro. E o Vasco pra mim representa uma instituição que tem respeito pelo esporte amador, que teve coragem de investir e acreditar em um esporte como o FA no Brasil. Agradeço muito a todos que acreditam também.

E quanto aos campeonatos, quais os que o Vasco participou nesse ano e quais os que ele vai disputar no ano que vem? Existe incentivo ao esporte? Quais as maiores dificuldades que vocês atletas enfrentam?

Esse ano foram duas, o Carioca Bowl e o Saquarema Bowl, onde o Vasco foi campeão do Carioca e ficou em segundo no Saquarema Bowl. Ano que vem vamos disputar o Tritões Bowl (no ES), o Carioca Bowl, o Saquarema Bowl e uma espécie de brasileiro de grama, que irá juntar 4 equipes do RJ, SP, ES e Cuiabá. Esse ano ainda vamos ter um duelo entre a seleção carioca x seleção capixaba versus Cuiabá no dia 15 de novembro no estádio de Mesquita, na grama. Sobre o incentivo, não tem nenhum, ou melhor, temos a vontade das próprias atletas e o apoio dos familiares e dos amigos. Até por isso, a maior dificuldade é a falta de patrocínio apesar de termos o apoio do Vasco, do Botafogo e do América, que nos fornecem uniformes e todo o suporte na mídia, o que já é muita coisa para quem não tem quase nada.

No Mundo é comum ver atletas fazendo ensaios sensuais para garantirem viagens, alimentações e outras coisas essenciais para o esporte. O que você pensa sobre isso? Alguma equipe que você fez parte já recebeu algum convite?

É verdade. O Coyotes uma vez pensou em fazer um calendário para arrecadar dinheiro, mas convenhamos quem era Coyotes? Ninguém conhecia, só no meio do FA. Eu acho que no Brasil todo mundo tem que fazer um esforço muito grande pra ser atleta. Alguns têm essa paixão e tem o desejo de fazer a coisa andar, de tornar algo reconhecido. Mas respondendo a pergunta, não vejo nada demais, não sou contra, ate porque muitos já fizeram, muitos atletas conhecidos inclusive.

Pelo pouco que conversamos aqui deu para perceber que você tem o Futebol Americano como uma paixão. Com base nisso gostaria que você nos falasse sobre essa paixão e nos dissesse o motivo pelo qual não escolhestes o vôlei ou o basquete, que são esportes de mais tradição no país.

É uma de minhas paixões. Certamente, o Futebol Americano me faz muito feliz; jogar, planejar, liderar um time e ser campeão, não tem preço. Eu sempre joguei tudo na verdade, sempre gostei de esportes, mas em 2003 na minha escola - eu ainda era da escola (risos) -meus amigos de classe estavam praticando e me chamaram. Eu fui e desde então eu nunca parei. Fui sempre a todos os treinos e me apaixonei pela forma do jogo, por precisar de estratégia, de precisão e de destreza. É um esporte completo, que tem que usar a cabeça e o físico.

Já sofreu algum tipo de preconceito por praticá-lo?

Não. Sempre fui muito bem resolvida com todos os quesitos que poderia haver preconceito. Nunca tive nenhum problema em nenhum quesito.

Sem dúvida alguma a sua vida não gira apenas em torno do Futebol Americano. Então, nos fale um pouco de você e do seu dia-a-dia.

Eu sou formada em Educação Física, pós- graduada em Psicomotricidade e trabalho com crianças que tem autismo, que é a minha paixão. Estou indo inclusive para os EUA estudar mais sobre trabalho com crianças especiais. Dou aula em escola para educação infantil, o que eu também gosto muito de fazer. Também dou aula de futebol de praia, Beach Soccer, no Leblon. E nos finais de semana eu treino FA com o Vasco.

Para encerrar, deixe uma mensagem para o torcedor vascaíno e para todas as pessoas que te ajudaram nessa longa caminhada no esporte.

Os torcedores vascaínos têm dado uma força enorme no Twitter e no Orkut e essa forca e energia são muito importantes para a gente. Nesse esporte amador que não tem incentivo, o mínimo é muito e ter o reconhecimento é muito bom. Depois receber os parabéns pela vitoria é melhor ainda e realmente é muito gratificante. Quero agradecer ao Felipe Rugboy, a Taty Morando e a Denise Emerson por terem feito dessa temporada de 2010 uma temporada perfeita. Agradeço também a minha mãe, Telma Ribeiro, por ter sempre me apoiado. E por ultimo ao Renato que sempre me apoiou em todas a minhas escolhas.

Um comentário:

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