19 fevereiro 2011

Luciano: um garoto com a cara do Vasco

Por: Carlos Gregório Junior (@CarlosGregJr) e Luana Saud (@LuanaSaud)

Humilde, carioca, generoso, bom de bola e religioso. É dessa forma que podemos resumir o nosso entrevistado de hoje do Blog O Sentimento Não Para. Destaque da equipe de juniores do Vasco, o jovem Luciano tem conquistados fãs com suas belas atuações no Estadual da categoria e com seu jeito alegre. A prova do bom momento vivido pelo garoto de 18 anos é a reação de algumas pessoas, que já o pedem na equipe profissional.

Versátil, ‘Naninho’, como é conhecido entre os companheiros de clube, joga em quase todas as funções no meio-campo, desde segundo volante até quarto homem. Tem como características principais a velocidade e o drible, além da obediência tática e da vontade de vencer.

Antigo morador do Complexo do Alemão, o jovem tem uma história de vida belíssima (trataremos desse assunto em matéria especial na próxima semana) e repleta de dificuldades. Apesar de tudo que passou, não há quem ouse falar mal, perto dele, do local onde ele passou grande parte da sua infância, onde foi criado.

Tá curioso para saber mais sobre essa promessa da base vascaína? Então, não perca nenhum detalhe do bate-papo que os colunistas Carlos Gregório Junior e Luana Saud tiveram com ele:

Para começar, fala um pouco sobre a tua carreira. De onde você é? Quantos anos você tem de Vasco? Até quando você tem contrato? Quais foram os seus treinadores no clube?

Sou do Rio de Janeiro mesmo, nascido e criado no Complexo do Alemão, um lugar que pela vista de muitos sempre foi ruim, mas agora que resolveram olhar pra lá, viram que nao é só isso, que tem muitas coisas boas também. Hoje, moro em Del Castilho, mas passo o meu tempo todo lá, até porque a igreja que eu congrego é de lá. Amo muito aquele lugar! Eu cheguei pra fazer teste no Vasco em 2007, quando realmente decidi ser jogador de futebol, fui um dos pouquíssimos que passaram no ano. Agradeço a Deus por isso, porque ali começou minha história no Vasco. Em 2008 fui praticamente "emprestado" pro Duque de Caxias, e me disseram que conforme fosse meu desenvolvimento eu poderia voltar, e graças a Deus entendi que precisava voltar e busquei melhorar cada vez mais, e voltei em 2008 mesmo, e estou até hoje. Tenho contrato até 2013 com o Vasco, sou muito grato a esse clube que me deu a primeira oportunidade, e até quando continuar por aqui, eu sempre vou buscar ajudar o clube. Meus treinadores foram Marcos Alexandre no infantil, Renê, ex-jogador do Vasco, no juvenil do Duque de Caxias, o Tornado no juvenil do Vasco, o Gaucho e Galdino nos juniores do Vasco.

Observando as partidas do Sub-20 e percebe-se que você é um jogador versátil, que joga em várias posições com a mesma qualidade. Para você isso é uma vantagem na luta por uma vaga no time de cima? Qual posição você mais gosta de atuar?

Acho que sim, muitos dizem que, hoje em dia, jogador tem que atuar em mais que 1 posição, e fazendo isso bem, acho que é mas fácil de ser visado. Ah, claro que é de meia atacante (risos), que é minha posição mesmo! Pessoas me dizem que eu estava me enganando jogando de lateral. (risos) Era por falta de oportunidade mesmo, mas, graças a Deus, alguém me entendeu e me colocou no meio, agradeço muito ao professor Galdino por isso, ele viu em mim o que todos viam, mas foi o único que teve a certeza e confiou que ia dar certo.

Quais suas características? Em quais fundamentos você acha que ainda pode evoluir como jogador?

Visão de jogo, dar passes pra gols (prefiro dar o passe do que fazer o gol) (risos), driblar, mas sempre procuro driblar só quando é necessário. Se consigo eu não sei, mas eu tento! (risos). Acho que posso evoluir em todos, pois ainda não sou a minha melhor versão (risos), especificamente na finalização, preciso melhorar muito nisso. E marcação também, tenho noção, mas não sou nenhum Elivelton, né! (risos)


Acha que pode chegar ao time profissional ainda nesse ano de 2011? Se sim, o que fará para se firmar?

Acho que sim, mas que seja feita a vontade de Deus, pois estou trabalhando muito forte pra isso, melhorando em coisas que eu não estava bem, que eu necessitava, como a parte física. Sobre a parte tática eu procuro sempre ouvir o professor Galdino, pois ele conhece mais de futebol e sabe como posso me dar bem na minha posição. Se acontecer, eu vou procurar me adaptar o mais rápido possível à rotina do profissional, pra não ter que voltar pro Juniores. Não dizendo que seria ruim, mas quero aproveitar a minha primeira oportunidade como se fosse a única. Sei que tem grandes jogadores da minha posição lá, como o Felipe, com quem eu me vejo mais parecido, na forma de gostar de dar passes. Não só ele como muitos ali podem me ajudar, e eles sempre tratam bem os mais novos que sobem, isso ajuda muito.

Qual seu maior objetivo no futebol? Gostaria de fazer história num clube como o Vasco ou seguiria o sonho de ir para a Europa numa oportunidade? Qual é o clube dos seus sonhos?

Gostaria sim e quero muito fazer história no Vasco e, até quando eu puder ajudar, estarei aqui, mas creio eu que é o sonho de todos jogar na Europa, conhecer outros gramados, e quero isso pra mim também, mas só quando eu sentir que eu fiz tudo que tinha que fazer pelo Vasco. E, quando voltar pro Brasil, sem dúvidas quero voltar pro Vasco pra agradecer por tudo que já fez por mim. O Clube dos meus sonhos é e sempre foi desde pequeno o Manchester United. Sei lá, aquele time chama muito minha atenção, pela rivalidade que tinha contra o Arsenal, que hoje em dia não é tanto assim, mas o jeito de jogar, a postura do time sempre me encantou, até os uniformes me deixam fissurado! (risos).

Qual jogador do futebol brasileiro e do futebol mundial você gosta de ver jogar? Qual é o seu maior ídolo na vida e no futebol? Com quais jogadores te comparam?

Bom, do futebol brasileiro no momento posso dizer que o Ronaldinho Gaucho. (risos) E, do futebol mundial na atualidade, Messi. Meu maior ídolo na vida sem duvidas é DEUS, e não há outro! No futebol digo a todos que é meu irmão, pois ele quem me ajudou a aprimorar minhas qualidades, embora não seja jogador. (risos) Mas posso dizer que o Kaká, por ser um exemplo vivo da glória de Deus no mundo do futebol.

Durante sua trajetória no Vasco, quais foram os melhores e os piores momentos que você viveu? Como você avalia a estrutura das categorias de base do clube? Como é a sua relação com os outros jogadores?

Vou falar do meu pior momento: tenho certeza de que foi quando eu fui emprestado pro Duque de Caxias. Apesar de ter aprendido muito com isso, foi um momento que fiquei sem chão, achando que tinha acabado pra mim, demorei muito pra entender que eu poderia dar a volta por cima, muito invejosos zombando de mim, os que queriam meu mal fizeram a festa! (risos) Mas meu Deus me ergueu de novo! Posso dizer que esse foi meu pior momento. Também teve um período depois do carioca onde tive uma briga com a balança e isso me deixou de fora do sub-23! Dali eu nunca mais dei mole pra ela! (risos) Mas também foi um momento ruim pra mim. Meus melhores momentos sem dúvidas foram na Copa São Paulo, onde pude ver que realmente eu sou importante pro Vasco. Os diretores me ajudaram de coração a arrumar meus documento, e na nossa chegada ao rio eu escutei de 2 deles “Muito obrigado, Luciano, valeu a pena o esforço, você nos deixou muito feliz! E muitos outros acontecimentos lá me fazem dizer que sem dúvidas na Copinha eu tive meu melhor momento no Vasco. Sobre as estruturas, eu aprendi a dar valor a tudo que tenho. Às vezes o "pouco" que dizemos ter, pode ser o "muito" pra pessoas que quase não tem o que temos. Então eu acho a estrutura ótima! Embora, tem pessoas que estão na concentração que são acostumados com coisas melhor, mas eu escuto muito que quando queremos algo grande na vida, temos que abrir mão de muitas coisas. Meu relacionamento? Posso dizer que ótimo, falo com todos! Defeitos todos nós temos, mas não tenho nenhum que possa criar raiva de mim em alguém. Gosto de todos da minha categoria, tem sempre uns que nos apegamos mais, como eu me apego com o Marlone (Russo), Arthur, Washinton... Tem outros mais citei esses por serem os mais chegados mesmo, apesar de todos serem meio campo, temos amizade de irmãos!

Como você avalia sua participação nas últimas competições que a equipe de juniores disputou? Qual sua expectativa para o Estadual da categoria?

No campeonato carioca de 2010, joguei a fase final e posso dizer que fui uma peça de ajuda nesse tempo, fui bem, mesmo tendo que me adaptar ao meio campo. Na OPG, não joguei muitos jogos, pois deram preferência aos mais velhos, mas, nos jogos que joguei, fui elogiado. E na Taça São Paulo, eu acho que fui bem, poderia dar mais, mas fui bem, consegui ajudar a equipe, que é o mais importante. E Deus me deu a graça de fazer 2 gols, coisa que não vinha fazendo, mas agora gostei disso! (risos). Minha expectativa creio eu que é a mesma de todo nosso grupo, sermos bi-campeões carioca, pois nossa comissão nos dá condições para isso, com um bons treinamentos. Mas, pra mim, eu quero fazer um bom campeonato, ser visto pelo técnico do profissional, que na atualidade é o Professor Ricardo Gomes, e se for da vontade de Deus, ser aproveitado depois da Taça Guanabara, pra honra e glória de Deus.

O que representa o Vasco para você?

Tudo na minha profissão! O time que abriu as portas pra mim, onde eu aprendi muitas coisas, onde cresci como homem. Nem conseguindo ajudar o Vasco a ganhar títulos eu agradeceria da forma que deveria a esse clube, pois não tem comparação a tudo que eu aprendi aqui.

Deixe uma mensagem para a torcida vascaína.

Quero dizer aos torcedores desse grande clube que tenham paciência, na vida temos altos e baixos. Claro que ninguém quer ficar no chão por muito tempo, mas eu acho que é nessa hora que a torcida tem que apoiar mais o time, mostrar que ama o time mesmo, porque a torcida merece ser feliz, mas aqueles que amam o Vasco tem que sofrer com os jogadores pra, mais na frente pular de alegria quando o time der a volta por cima! Abraços pra todos os Vascaínos de coração!

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